Aventuras pela Inglaterra de Jane Austen: Lyme

Mais um post da  Deborah Simionato!
LYME REGIS
“E só um estranho muito estranho não veria os encantos dos arredores próximos de Lyme e teria vontade de os conhecer melhor.” Persuasão
 Eu amo Persuasão, uma das histórias mais lindas e sem dúvida a mais melancólica que a Jane Austen escreveu. Sendo assim, não podia deixar de visitar Lyme, onde tantos eventos importantes no livro acontecem. Além de Persuasão, Lyme foi um lugar onde a própria Jane passou temporadas, detalhe que só faz a curiosidade aumentar.
Assim como para chegar a Chatsworth e tantos outros lugares, peguei um trem até uma cidade próxima, nesse caso Axminster, e depois um ônibus que me levou ao destino final, a praia de Lyme Regis.
 
A atmosfera era exatamente como eu imaginava – e, honestamente, como eu queria: cinza e chuvosa. Pode parecer estranho querer visitar uma praia com o tempo assim tão ruim, no entanto, por Persuasão ser melancólico e por Lyme ser parte de Persuasão, eu não esperava nada diferente.
Descendo a rua principal, me deparo com o mar. Apesar de praias terem seu auge no verão, visitar uma no inverno é um ótimo jeito de encontrar tranquilidade e solidão. Pouca gente nas ruas, pouca gente na orla. E só você, o mar e a brisa no rosto. E a esperança de virar o rosto e encontrar o Cap. Wentworth. Infelizmente não foi dessa vez, fiquei só com a paz de espírito mesmo.
Chegando à praia propriamente dita, já é possível avistar o famoso Cobb. Fiz o meu caminho até ele, pisando em pedras e areia – as praias na Inglaterra costumam ter pedras no chão, e não areia, Lyme tinha ambas.
O Cobb é uma construção impressionante, mesmo sendo tão simples. Como sabemos pelo livro e principalmente pelos filmes, o Cobb tem dois “andares” – o primeiro, mais largo e seguro; o segundo, com a superfície desnivelada e onde somos sujeitos à fúria da natureza.

Quando me deparei com a famosa escada onde a Louisa Musgrove brincou de “catch me” não pude evitar um sorriso pela felicidade de estar ali – e, se eu for sincera, por pensar em quão idiota era a Louisa.

Quanto mais para o final da parte de baixo do Cobb eu andava, mas suscetível eu ficava às ondas que batiam do outro lado. Bem na ponta final, há uma espécie de continuação do Cobb com pedras soltas, lindas de ver, mas nas quais não se podem colocar os pés.
Resolvi que estava na hora de encarar a parte mais perigosa: o topo. Eu precisei de muito encorajamento (eu mesma fiz o serviço de líder de torcida, já que estava sozinha :) , mas no fim, subi. Tenho que confessar que eu estava tremendo! As pedras estão constantemente molhadas pelas ondas que batem ali, uma chuva fininha estava caindo e a gente não consegue caminhar reto, pois a construção é torta. Que tensão! Então eu pensei “se a Jane Austen caminhou aqui, eu também posso”. E fui.
Não cheguei até a ponta, pois minha coragem tem limites. Mesmo assim, fiquei muito orgulhosa de mim mesma por ter subido.
Saindo do Cobb e caminhando pela praia, a vista seguia linda.

Foi então que eu me deparei com o Lyme Regis Museum e, vendo a placa, não podia deixar de visitar:

 
O museu é bem pequeno e é mais dedicado aos fósseis encontrados em Lyme desde antes da época da Jane. Já que esse não era meu interesse, passei relativamente rápido por todo o pequeno museu, até chegar à parte dedicada a nossa autora preferida.
A pequena exposição fala do tempo em que a Jane passou em Lyme, e sobre como era a cidade que ela conheceu. Uma das coisas mais legais no museu é uma placa usada durante as filmagens de Persuasão (1995) pedindo para que os barcos que estivessem no porto fossem retirados devido à gravação do filme.
 Imaginem que máximo estar na cidade durante as filmagens?
 
Na gift shop do museu (eu com vários livros vendidos lá sobre a Jane na mão), a senhora que atendia no caixa me perguntou se eu era fã de Jane Austen. Quando eu confirmei e disse que era essa razão pela qual eu tinha ido até ali, ela abriu um sorriso e disse “pra ver onde a Louisa Musgrove caiu!”. Uma breve conversa sobre a Jane seguiu e uma despedida muito calorosa (quem disse que apenas os brasileiros que são simpáticos?), eu saí do museu.
Com o final da tarde chegando e frio e o vento ficando mais fortes, eu resolvi que era hora de dizer tchau para essa cidade e seguir meu caminho de volta a Londres.
Deixo vocês com uma vista dos telhados da cidade.

Até a próxima semana,
Deborah

Texto e imagens originalmente publicados no blog da Samanta: 

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