O cinema e a tevê adoram Jane Austen

Texto de Sílvia Pereira para o Jornal Araraquara:

Até ser rodado, todo filme existiu antes como um roteiro. E a maioria, antes de virar roteiro, foi um livro. Na história da sétima arte, nem todos os ótimos livros viraram bons filmes, mas todo ótimo filme teve como base uma história bem escrita, seja em livro, roteiro para teatro ou para o próprio cinema (os chamados “roteiros originais”). Para meu próprio prazer, aprendi cedo a tirar proveito do cinema como vitrine de grandes e boas obras.
Foi pelo cinema que descobri, por exemplo, as obras da escritora inglesa Jane Austen, que viveu entre os séculos 18 e 19. Filha de um reitor (padre da igreja anglicana), Austen escrevia para seu próprio prazer e recusou vários pretendentes para manter esta liberdade já que, segundo os padrões da época, não era profissão para uma mulher.
Em suas poucas obras publicadas — “A Abadia de Northanger”, “Mansfiled Park”, “Orgulho e Preconceito”, “Emma” e “Persuasão” (além da já citada) — a escritora narra romances que têm como pano de fundo uma análise sutil, mas impiedosa dos costumes, hipocrisias e preconceitos da sociedade inglesa do século 18. Sua ironia fina e o texto primoroso são um deleite para quem aprecia a palavra escrita tanto quanto a falada no cinema.
Foi a adaptação cinematográfica de 1995 de “Razão e Sensibilidade”, com roteiro da atriz Emma Thompson — que interpreta uma das protagonistas — e direção (pasmem!) do taiwanês Ang Lee, que me apresentou à primeira história da escritora. Como um oriental conseguiu transmitir tão bem o universo e clima ingleses dos romances de Austen, para mim, até hoje é um mistério, mas não deixa de ser uma prova de que uma boa obra é universal.
1995, aliás, parece ter sido o ano das adaptações hollywoodianas de Austen, pois também é deste ano a versão que considero a melhor para o cinema de “Persuasão”,com direção de Roger Michell, e adaptação teen de “Emma”, Clueless, de Amy Heckerling, que no Brasil chamou-se “As Patricinhas de Beverly Hills”.
Também adorei a livre adaptação de Patricia Rozema para “Mansfield Park” (1999), que no Brasil recebeu o título de Palácio das Ilusões” e ri demais de “O Diário de Bridget Jones” (2001), comédia rasgada inspirada na trama de “Orgulho e Preconceito” (“Pride and Prejudice”).
Romance mais famoso de Austen, “Orgulho e Preconceito” também teve uma adaptação em 2005 que foi a estreia do jovem diretor inglês na direção de longas. Não fez feio.
Em 2007, Robin Swicord filmou “O Clube de Leitura de Jane Austen”, comédia romântica sobre um grupo de pessoas que se reúne para debater a obra da escritora. Cada sessão acaba rolando como uma espécie de terapia em grupo em que os acontecimentos das vidas das personagens do filme se relacionam às motivações das personagens dos livros. E o mais interessante é que até alguns personagens masculinos fora do tal clube, em dado momento, são tentados a ler Austen para entender o que tanto atrai suas mulheres (a obra da escritora normalmente é associada à preferência feminina).
Além das citadas, são inúmeras as versões para cinema e tevê da obra de Jane Austen, sendo as melhores produzidas pelo canal BBC, de Londres, que não se acanha em readaptar os mesmos títulos da escritora a intervalos de poucos anos — é que Jane Austen está para a literatura inglesa mais ou menos como Machado de Assis para a brasileira.
Para quem quiser descobrir ou saber mais sobre Austen, recomendo o site janeausten.com.br como fonte de consulta sobre sua obra. Completo, ele contém biografia, imagens, fichas de todos os livros (completos e incompletos) da escritora, trechos de cartas que ela trocava com a irmã, fichas técnicas das obras para tevê e cinema baseadas em seus romances (até de paródias, filmes baseados na vida da autora e aqueles que apenas lhe fazem alguma referência, mínima que seja), além de dicas e informações postados em formato de blog.

Enfim… o cinema e a tevê adoram Jane Austen (e eu também).

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